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Após acordo de paz fracassar, Trump ameaça 'bloquear' Estreito de Ormuz e Irã fala em resposta 'severa'

 

Desde o início da guerra, o bloqueio seletivo — mas eficaz — do Irã a uma das vias navegáveis mais importantes do mundo geralmente só tem sido contornado por navios alinhados ou amistosos ao país. E esses serão os novos alvos dos EUA, segundo Trump




Menos de 24 horas após negociações de paz entre Irã e EUA fracassarem, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou neste domingo (12/4) "bloquear" todos os navios que tentem entrar ou sair do Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital para a economia global.

Segundo Trump publicou nas redes sociais, ele "instruiu a Marinha a procurar e interceptar toda embarcação em águas internacionais que tenha pago um pedágio ao Irã" para passar por Ormuz.


Desde o início da guerra, o bloqueio seletivo — mas eficaz — do Irã a uma das vias navegáveis mais importantes do mundo geralmente só tem sido contornado por navios alinhados ao Irã, a países que Teerã considera amistosos ou por embarcações que se acredita terem pago um pedágio, estimado em cerca de US$ 2 milhões (R$ 10 milhões)

"Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura no alto-mar", disse Trump, acrescentando que "qualquer iraniano que atirar contra nós, ou contra embarcações pacíficas, será explodido até o inferno".

O presidente americano declarou ainda que "o Irã prometeu abrir o Estreito de Ormuz e, conscientemente, não o fez".

"Isto causou ansiedade, desorganização e sofrimento a muitas pessoas e países em todo o mundo", afirmou.

Após as declarações de Trump, as Forças Navais do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmaram que quaisquer embarcações militares que se aproximem do Estreito de Ormuz serão consideradas como estando em violação do cessar-fogo e serão "tratadas severamente".

Em um comunicado publicado por veículos iranianos, as Forças Navais acrescentam que, "ao contrário das falsas alegações de alguns funcionários inimigos", o Estreito de Ormuz está "aberto para a passagem inocente [trânsito livre] de embarcações não militares, sob controle e gestão inteligentes, em conformidade com regulamentos específicos" do Irã.





A ameaça de Trump, porém, afetaria apenas um pequeno número de embarcações que ainda navegam pela via, segundo o especialista em transporte marítimo Lars Jensen.


"Se isso for realmente feito pelos americanos, vai interromper um fluxo muito pequeno de navios. No contexto geral, isso não muda realmente nada", afirma.


Jensen, diretor-executivo da Vespucci Maritime, diz que a ameaça de Trump de impedir a passagem segura de quaisquer navios que paguem pedágios ao Irã também teria pouco impacto, já que qualquer empresa que fizesse isso já estaria sujeita a sanções por pagar ao regime.


"Antes de tudo, são pouquíssimos navios que passam. Ainda menos são os que pagam, e aqueles que pagam já estarão sujeitos a sanções americanas", diz.

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